Pular para o conteúdo principal

As joias de cada bairro

As joias de cada bairro

O Globo, Morar Bem, 19/out

Nem só de endereços famosos à beira-mar se compõe a lista de ruas mais cobiçadas do Rio. Levantamento do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), apurado com exclusividade para o Morar Bem, mostra quais são as vias mais caras dos principais bairros da cidade.

Feita a partir do valor médio do metro quadrado de imóveis anunciados, a pesquisa ratifica a Avenida Delfim Moreira, no Leblon, como a de metro quadrado mais valorizado do Rio (R$ 39.068) - aliás, do país -, mas aponta outras joias da cidade: ainda na Zona Sul, a Professor Manuel Ferreira (R$ 21.276) é o destaque da Gávea; e a Prefeito Mendes de Morais (R$ 19.791), o de São Conrado. Na Zona Norte, a liderança fica com a Homem de Melo, na Tijuca (R$ 9.079).

Ou seja, considerando uma metragem de 100 metros quadrados, por exemplo, o preço médio de um apê na Delfim Moreira fica em R$ 3,9 milhões e na Homem de Melo, em R$ 900 mil. Mas, afinal, o que torna uma rua mais cara que outra? Tranquilidade, mobilidade, comércio? Segundo Maurício Eiras, coordenador estatístico e responsável pelo estudo, as razões variam:

- De forma geral, a localização, seja do comércio ou da tranquilidade. Quanto maior o número de serviços ao redor, melhor. As pessoas querem estar próximas a mercados, escolas, bancos e restaurantes. Mas, em Ipanema e Leblon, é o contrário. A exclusividade e a proximidade da praia é que pesam.

Eiras esclarece que o levantamento leva em consideração o preço médio do metro quadrado das ruas mais desejadas, mas que há imóveis que custam mais ou menos, até mesmo por uma questão de oferta e demanda do mercado.

- Das ruas que o Secovi pesquisou, que são as mais desejadas, chegou-se ao valor médio, mas há casos à parte. Isso não significa que não há nada mais caro ou barato, até porque alguns endereços são muito exclusivos, como a Delfim Moreira, que, sem espaço para novos empreendimentos, tem renome, visibilidade e status. Aí, as cifras podem ser milionárias - diz o estatístico, referindo-se à avenida onde recentemente foram negociados apartamentos por valores acima de R$ 30 milhões.

Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, pontua que, além das particularidades que encarecem cada região, a falta de espaço resulta em uma valorização nas adjacências:

- Um exemplo desta migração é de janeiro de 2010, quando a metragem mais cara passou de Ipanema para o Leblon.

CIDADES E BAIRROS EM CONSTANTE MUTAÇÃO

O professor e antropólogo Marco Mello, coordenador do Laboratório de Etnografia Metropolitana LeMetro/IFCS-UFRJ, explica que a cidade está constantemente se refazendo. Isso se deve aos moradores, e também aos empreendimentos e negócios que vão surgindo ou se extinguindo. Nisto, continua ele, cria-se um ciclo, em que o perfil do bairro atrai novos moradores, e este, por sua vez, cria um novo perfil. O que, consequentemente, se reflete nos preços de imóveis, ruas e bairros.

- Um bairro não se define só pelo que os moradores acham dele. Se define também pela visão de moradores de outros bairros. Existem representações diferentes dos lugaress. Você tem estereótipos bons e ruins - diz Mello, e completa: criar uma identificação é um processo que leva tempo, pois você está se desligando de um e se ligando ao outro, criando uma nova vida. Na Zona Sul, especialmente Ipanema e Leblon, quem não pode pagar os atuais valores dos imóveis, costuma migrar da forma menos radical possível. Um exemplo deste movimento é o que tem acontecido em Botafogo, que, afinal, está a uns 20 minutos das praias. Segundo o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi/ RJ) , João Paulo Matos, hoje, há um grande movimento em direção ao bairro. Já as construtoras, acrescenta, se esmeram na busca pelos terrenos restantes da região:

- Todos querem construir em Leblon, Ipanema, Botafogo e Flamengo, Gávea e Jardim Botânico. A demanda é grande e os terrenos, escassos.

Mas essa migração entre bairros, lembra o historiador da UERJ André Azevedo, começou no fim do século XIX, por uma questão sanitária:

- A Zona Sul começou a ficar com esta fama de nobre neste período, pois o entendimento científico da época era de que as doenças eram causadas pela má qualidade do ar, principalmente, em áreas aglomeradas, como o Centro. Com isso, a elite passou a querer ficar perto da brisa da praia e foi se expandindo para onde hoje é o Flamengo e Botafogo.

Depois, foi a vez de Copacabana ter os endereços mais cobiçados e caros. Até que, entre os anos 1960 e 1970, Ipanema passou a ocupar a posição, e, mais tarde, o Leblon. O historiador ressalta que, mais recentemente, Tijuca e Méier também ganharam glamour na Zona Norte, como a parte mais nobre do subúrbio.

- O brasileiro busca esta exclusividade como distinção cultural, e as demarcações de espaço no Rio de Janeiro são muito fortes. Não se compra apenas um imóvel; compra-se uma posição na cidade, uma identificação. E isso se reflete nos preços da moradia de maneira geral.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dicas para empreender na crise

Não siga o fluxo do mercado. Renegocie metas ao longo do caminho. Fique atento as oportunidades de negócios. Não se deixe atingir pelo negativimos. Vá a luta! "Enquanto alguns choram, eu vendo lenços." Essa frase de Nizan Guanaes ficou famosa no início de sua carreira, e até hoje serve de inspiração aos empreendedores.

Preço médio de locação mostra estabilidade entre janeiro e fevereiro

Preço médio de locação mostra estabilidade entre janeiro e fevereiro  Resultado interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de queda no valor do m2 quando comparado ao mês anterior Os preços de locação registraram estabilidade na passagem de janeiro para fevereiro. Tal resultado interrompeu uma sequência de nova quedas nominais seguidas nessa base de comparação. Com isso, o Índice FipeZap de Locação acumula queda nominal de 4,02% nos últimos 12 meses. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA atingiu 10,32%. Dessa maneira, o Índice FipeZap de Locação mostrou queda real de 13,02% nos últimos 12 meses. Todas as cidades presentes no índice mostraram resultados inferiores à inflação nesse período, sendo que Rio de Janeiro, São Paulo, Santos e Distrito Federal mostraram queda nominal de preços. O preço médio anunciado para locação por m2 nas 11 cidades pesquisadas em fevereiro/2016 foi de R$ 30,97/mês. Os preços anunciados para locação considerados para o cálculo do índi...